Não havia rádio,
televisão, internet, satélite, celular, telefone, nem mundo virtual.
Não rabiscou uma letra, mas
Suas palavras atravessaram os séculos e ecoam na eternidade.
Poucos sabiam ler ou
escrever — e, mesmo assim, Sua verdade fez-se carne viva na fé.
Trazia no nome a terra de
origem; com Seu Nome, partiu a história em Antes e Depois.
Não precisou ir a Roma,
império de uma era, para fazer-se Rei dos céus e soberano da terra.
Não era general romano,
nem amigo de senadores influentes.
Simplesmente, não tinha
mais que o pão que Lhe ofertavam,
Mas abençoou cinco pães e
dois peixes e saciou multidões.
Eram mais de cinco mil — podiam
ser milhões, famintos de esperança.
Em Canaã, transmutou água
em vinho, para que a alegria não faltasse à mesa nupcial.
No Mar da Galileia, fez
um barco vacilar as ondas sob o peso do milagre:
Eram tantos os peixes que
Pedro e Simão se olhavam, atônitos,
E ali mesmo foram fisgados
pela eternidade.
Contam-se trinta e cinco
milagres;
Vivem-se hoje incontáveis
prodígios de graça.
Curava cegos, coxos, enfermos,
aleijados — e até mortos sepultados.
Curava o pobre e o rico,
o aflito e o abandonado, a prostituta e o ladrão.
Não importava a cor ou o
credo — judeu, fariseu ou saduceu;
Cobrador, rei, soldado,
mulher, jovem ou ancião.
Não se perturbava diante
da discórdia, pois Sua misericórdia jorrava do próprio Deus.
Não exigia tributo além da
fé que brota no peito.
Não ergueu templos suntuosos,
basílicas, catedrais de mármore ou palácios de oração;
Contentava-Se com a
praça, a margem do rio, um punhado de chão sob o céu aberto.
Não vestia terno e
gravata, nem batas de seda, nem vestes de linho fino, nem adornos de ouro.
Sua humilde nudez velava-se
numa túnica singela, tecida do mais rude algodão.
Falava por parábolas, embora
não fosse poeta nem escriba.
Ensinava profetas e
doutores sem ter frequentado escolas, mas gravou Sua Lei nos corações.
Talvez tenha sido
carpinteiro — certamente foi o maior mensageiro da paz.
Viveu a mais alta paixão
para libertar os homens do peso ancestral do pecado.
Foi traído, renegado,
julgado, zombado, crucificado, mutilado, transpassado — morto.
E, ainda assim, nos perdoou.
E, por ser Amor encarnado,
no terceiro dia venceu o túmulo e ressuscitou glorioso.
Fez na Galileia Seu
ministério — e o mistério assombrou o mundo inteiro.
Nasceu em Belém para
fazer somente o bem,
E não há mal que, invocado
Seu nome, não se desfaça.
Nem se vai ao Pai senão por
Ele.
É Natal todos os dias em
que renascemos para viver de novo.
É o bem vencendo o mal. É
a fé que alimenta — sua ausência, que consome.
Trinta moedas de prata quiseram
calar o Filho do Homem.
Trinta milhões de anos
não calarão o Espírito Santo de Deus.
E tu ainda ousas dizer
que não tens esperança?
E tu ainda pretendes usar
a fé como moeda?
E tu ainda fazes da
ganância e do desamor a turva fonte da tua inspiração?
Agora, pois, permanecem três:
a esperança, a fé e o amor.
O maior destes, porém, é
o amor.
Abra o teu coração e reconhece:
Deus sempre foi, é e será Amor.
E o Amor jamais morrerá —
mem na mais densa escuridão.
Nilson Freire, Natal, 20 de dezembro de 2007.
@poesiasdobeijaflor