NOME DE MÃE
basta um “mãe” sonoro e aflito
e tu já reconheces que este grito
vem de mim — e de mais ninguém.
Vejo-te assim: já coroada
de cabelos brancos,
com um batom singelo,
de vestido amarelo, como o mais belo
e cálido raio de sol rompendo o inverno.
Tuas rugas traçam
estradas em teu rosto,
sulcos lavrados de preocupação e desgosto.
Nasceram da dor silenciosa
de quem sofre
por amar além da medida — e sempre mais.
Meus erros são falhas
pequenas, quase banais.
O meu prato
predileto ninguém mais sabe fazer.
O tempo paralisa quando
me atraso além da conta
e o teu sono se esvai e não vem.
Sou ainda criança,
apesar da minha idade.
Em tua infinita bondade,
sou eternamente teu neném.
Teu colo é vida e bálsamo
que sara minhas feridas.
Tuas palavras bordaram
a trama da minha história.
A minha vida tu me deste.
A minha
personalidade, tu a talhaste.
Minhas lágrimas, tu
as enxugaste.
E farias tudo isso quantas
vezes mais?
Não digo o teu nome
– nem é preciso,
basta um “mãe” pleno e sorridente.
Eu já sei que a
minha alegria
é tua alegria, igualmente.
Nilson Freire, Natal, 17de abril de 2009
@poesiasdobeijaflor


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