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domingo, 5 de julho de 2026

AMIGA E IRMÃ

                                                     AMIGA E IRMÃ


   "Existem pessoas que são como anjos" 

 

Tua amizade não tem nome

mora no teu sorriso, feito luz constante,

habita em cada gesto, manso e sereno,

vive no brilho límpido de teus olhos

e na carícia firme de tuas mãos repousa.

 

Teus irmãos te admiram:

és a amiga que o tempo não afasta.

Teus pais te contemplam, presos ao encanto:

és a filha querida entre os filhos.

Supermãe, mulher sonhadora, delicada,

dedicada rainha no reino do lar.

 

Todos te buscam como um porto,

e tua presença ecoa mesmo na ausência.

Com taças de ternura, tu apazíguas

as dores de quem a vida feriu.

Não há sombra alguma em teu peito

teu coração bate num compasso

que soa quase como uma canção.

 

Que dizer de ti,

senão que és bálsamo para toda ferida?

A tua bandeira é a paz sobre a Terra.

És brisa suave que em teu peito guarda,

silenciosamente, a força de um furacão.

 

Seguem-te uma celestial legião,

guia-nos, sempre, para o bem,

e permite-me dizer-te do meu ogulho

de me chamares de irmão.

 

  

                                                                                Nilson Freire, Natal, 05 de julho de 2026
                                                                                                        @poesiasdobeijaflor

AMANHÃ E SEMPRE

AMANHÃ E SEMPRE


 
   "Todo dia é dia de amar intensamente"

 


Não foi somente ontem:

Hoje também te amei.

Beijei-te com ternura,

Abracei-te com fervor.

Ah, tu me conquistaste.

  

Não foi apenas um momento;

Foi mais que a eternidade,

Um sonho louco, bordado na realidade.

Belo como a rosa em pleno esplendor,

Delicado como um botão a desabrochar;

Foi mais que um simples amor.

  

Não foi só um abraço apertado,

Um beijo úmido, em brasas ardente,

Nem apenas pura paixão.

Mais que qualquer explosão:

Foste tu, morando em meu coração.

  

Não será apenas por hoje:

Amanhã também te amarei,

Pois o ontem virou todo dia,

E esse amor que nasce entre nós

Há de existir para sempre,

Como a estrela que persiste a brilhar

Ainda quando o dia a faz ausente.

 

 

Nilson Freire, Rio de Janeiro, 08 de julho de 1980.

                                                                                                                                                @poesiasdobeijaflor 

AMANHÃ

                                                                     AMANHÃ

 


" Haverá sempre um amanhã mais doce"


 

Nesta noite chuvosa,

peço-te, minha amada:

vem ao meu lado ficar.

 

Sei que o tempo não consente,

mas preciso dizer-te

palavras que transbordam de amor,

que só a ti quero dar.

 

Quero arder, perdido, no teu calor.

Quero mil beijos em ti colher.

 

Lá fora, a lua, minha querida,

as nuvens não te deixam ver;

pedem ao vento que cante um lamento

e se desmancham em pranto.

 

Quero dizer-te, meu encanto,

que aqui permaneço, à tua espera.

O dia desperta em silêncio e quimera.

O sol retorna, incendiando o horizonte,

e logo, outra noite há de nos propor

entregarmo-nos inteiros ao amor.


 

 

Nilson Freire, Rio de Janeiro, 02 de junho de 1977.

                        @poesiasdobeijaflor

                                                            

ALMAS PASSEANDO NO JARDIM

                                         ALMAS PASSEANDO NO JARDIM


 

  "Ao encontrar a alma gêmea, tudo se torna ilimitado"

 

 

Não falarei de flores jogadas ao chão,

nem das feridas do meu lacerado coração.

Ofertar-te-ei um lírio perfeito,

uma rosa de pétalas delicadas, tingidas de azul -

e um laço cingirei sobre o meu peito,

fazendo do meu corpo nu o teu leito.

 

Beberei o néctar do teu prazer

no cálice profundo e sagrado da nossa intimidade.

Cultivarei a sensualidade do teu andar cadenciado,

como quem rega, ao entardecer, um jardim secreto,

com mãos trêmulas de desejo e de eternidade.

Far-te-ei sorrir mesmo sem querer,

e, quando enfim quiseres chorar,

há de ser de tanto arder e amar,

ou por não mais conseguires me esquecer.

 

Escreverei poemas em pétalas lançadas ao vento,

sem comparar o que fomos ao que somos no presente,

mas confessando as fantasias mais insensatas,

só para acender em ti uma chama voraz,

ardente, inédita — nascida só de mim.

Dedilharei um piano imaginário sobre o teu umbigo,

como quem tece segredos no centro do infinito.

Sussurrarei ao teu ouvido promessas de amor sem fim.

Hei de ver-te em vestidos soltos, que o vento afaga e embala,

ou colados ao corpo, desenhando as tuas curvas -

onde deslizo, à noite, em puro delírio.

 

Dançarei contigo em noites de estrelas e lua cheia,

ou entregue por inteiro à chuva inesperada de verão,

despidos de tudo, sem véu algum sobre a pele,

somente o meu nome tatuado em tua alma.

e o teu nome gravado a ferro e fogo no meu coração.

 

Almas gêmeas entrelaçadas,

que não se curvam às regras que tentam nos conter.

Nesse jogo de amar, de querer, de sentir e de prazer,

seremos eternos a cada instante vivido -

pois o mundo se fez jardim só para nós.

Por fim, deixarei flores a cobrir as manchas no algodão

branco dos lençóis.

 

Nilson Freire, 2 de dezembro de 2009

                                                                                                                            @poesiasdobeijaflor

                                                                      

AFOGAMENTO

 

AFOGAMENTO

 


“Os caminhos que levam ao amor não devem ser temidos"

 

 

São tantos os caminhos.

Tantos passos à espera

que, de repente, nos vemos pisando o mesmo chão,

reféns dos mesmos medos e desejos,

brincando ainda de ser criança,

nessa infância eterna que habita cada um de nós.

 

É um olhar quase sem promessa

fazendo intriga dentro do peito;

é um se tocar, fingindo nada querer,

mesmo sentindo o sangue todo borbulhar.

É fantasiar o impossível

e dissimular aquilo que não se pode negar.

 

Tão imprevisível é a vida

que não convém nos podar-se demais.

Sentir tudo que a mente consente,

trazer o futuro para o presente;

não empurrar o desejo para depois.

 

São tantos os caminhos…

E tantos desembocam em você.

Perco-me no afago dos seus seios,

tonto, desarmo as defesas uma a uma.

Resisto, mas termino submerso

no complexo que é a sua pele nua.

 

 

 

Nilson Freire, Rio de Janeiro, 24 de junho de 1986    

                                                                                                               @poesiasdobeijaflor                                                      

 

ADORARIA

                                                                 ADORARIA


"Muitas vezes, o desejo de dar e receber estão em sentidos opostos "

 

 

Adoraria falar-te, por um instante,

de lances bobos, de nada importante;

dessas coisas de homem para mulher.

 

Faria para ti flor do asfalto;

Lamber-te-ia feito um gato;

Possuir-te-ia como um leão;

Dar-te-ia o meu corpo,

do último cabelo ao dedão do pé;

Levar-te-ia para um espaço irreal,

            onde serias para sempre a minha mulher.

           

Mas teu olhar não vê o meu sorriso

e, se choro, não ouves a minha dor.

 Minhas palavras, para ti, não fazem sentido,

são como gritos de socorro no deserto.

E, se te vejo bem aqui, assim, tão perto,

eu me desconcerto,

mas nada posso fazer.

 

Adoraria fazer com o vento cafuné no teu prazer;

mergulhar nos teus pelos - floresta de sonhos;

desmanchar-me em cascata sobre a tua pele molhada;

ver-te extasiada, descansar e novamente recomeçar.

Gozar até não mais poder.

 

Mas o teu querer não tem lugar para mim.

O teu “não” é como música de sucesso:

eu nunca peço - detesto até! -

e, mesmo assim, tenho de ouvir.

 

Adoraria ser teu homem objeto,

tão descartável quanto um lenço de papel;

ser teu caso de uma noite de verão;

ser a saideira no bar do teu coração;

ser a bebedeira que já não lembras mais.

O que resta das espumas do teu banho,

adoraria, pelo menos, ser.

 

 Mas teus desejos são apenas de repulsa.

No teu espaço não há lugar para a minha poesia.

No teu entender, eu nada seria,

nem faria diferença o meu existir.

 

E por ser assim, tão má e tão faceira,

não me permites embolar-me na tua teia;

não me fazes castelo de areia;

não me jogas no teu lixo;

não me fazes capricho teu.

 

E se fosse eternizar apenas por um dia?

Mesmo assim, o meu coração por teu bater pararia.

Viver tudo, em cada segundo, é tudo que eu faria:

eu te amaria, idolatraria...

e adoraria até o fim.

 

 

 

Nilson Freire, Rio de Janeiro, 03 março de 1995. 

                                                                                                                                                    @poesiasdobeijaflor                

ADMIRAR-TE APENAS

                                             ADMIRAR-TE APENAS

 


"Só se precisa de uma oportunidade para viver um amor "

 


Conhecer-te foi bom demais,

mais do que se é permitido ser.

Não sei se foi o vento que te trouxe

ou se foram os raios da Lua.

 

Só sei que estavas ali,

talvez à minha procura.

E por ser assim - tão inocente loucura -

não te deixarei partir

sem melhor me conhecer.

  

Aproximar-me de ti foi melhor do que pensei.

Acreditei até que poderia apenas admirar-te.

Mas antes de sermos amigos,

Multiplicando os segredos,

dividindo problemas.

Vi-me na condição de homem

e vi-te como a mais linda mulher.

 

 Conhecer-te foi totalmente demais.

Afastou os nossos medos,

dilacerou os nossos princípios,

rasgou o cobertor das falsas verdades.

 

Não há limites para o querer

se já te quis.

Nem pudor em viver

o que já vivi.

 

E se o meu mar for delimitado pela tua tez,

ainda assim vou querer afogar-me:

nem que seja pela eternidade

de uma única vez.

 

 

Nilson Freire, Rio de Janeiro, 20 de março de 1998.

  @poesiasdobeijaflor  

ADEUS

                                                                         ADEUS

"Um adeus pode ser uma possibilidade de recomeçar "

                                            

Toda vez que lhe disserem adeus,

pense na possibilidade de um amanhecer

sem lágrimas, nem palavras fúteis

Pense na felicidade de ser livre como o vento

e poder escolher um novo amor.

  

Toda vez que lhe disserem adeus,

pense no quanto é mais simples ser indiferente

e não guardar rancores no silêncio do peito.

Pense no quanto tudo foi lindo e encantador,

nos tantos sorrisos, nos muitos carinhos.

Quantas vezes se foi dito: “Amor“.

  

Toda vez que lhe disserem adeus,

pense em retribuir com um até logo,

até mais ou até breve.

            Como quem semeia reencontros.

  

Pois o nunca…

existe enquanto possibilidade de ser um dia.

Um dia…

nada mais é que um passo a mais no amanhã.

E o que é o amanhã

senão um hoje que ainda vai chegar.

 

 

Nilson Freire, Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1991

                                                                                                                                          @poesiasdobeijaflor           

A CARTA

 

A CARTA

                                             “Quando o carteiro já não chega.”

 

 Não há mais como escrever aquela carta,

de letras traçadas por mão trêmula e lenta,

num papel bordado de aromas antigos,

selada com juras de eternidade.

 

Hoje, até o cão adormece em desalento,

velando uma caixa vazia há tanto tempo.

Ninguém mais se aproxima, incauto,

correndo, assustado, no eco do seu latido.

 

Não há cartas por receber,

nem saudades por enviar.

Copiam-se e colam-se palavras sem alma,

sopradas pelo hálito metálico da Inteligência Artificial,

entregues por um mensageiro virtual.

 

Terá a realidade extinguido o encanto?

Como se não bastasse o desassossego de um rabisco,

três palavras lançadas ao acaso do tempo,

deixadas ao relento sobre a ferrugem de uma caixa

uma doce mentira de amor; um desamor efêmero

que se fez, enfim, amor verdadeiro

como, um dia, também o foi o carteiro.

 

           

Natal, 19 de março de 2026

      @poesiasdobeijaflor      

quarta-feira, 10 de junho de 2026

JANELA PARA O AMOR

 

JANELA PARA O AMOR

 


“É necessário abrir a janela da vida para encontrar a luz do amor”


Abri a janela e vi o céu azul

e tudo azulou em meu coração.

Abri o meu peito e vi o teu olhar

e tudo se iluminou como aurora em minha vida.

Abri as minhas narinas e senti o teu aroma

e tudo em mim se cobriu do teu perfume.

 

Ah, meus dias de poeta,

minhas horas de vigília apaixonada ao teu lado se eternizam.

O relógio da minha alegria

começou a bater quando te encontrei.

 

Ah, meus instantes de sanidade,

Quase engolidos pela loucura de te conquistar.

A cada dia, um novo abismo atravessado

por quem, por amor, aprendeu a acreditar.

 

Abri a janela para o sol da minha vida, e a noite se desfez.

O passado de dor transfigurou-se em jardim florido,

e o teu nome foi gravado em cada parede.

O teu sorriso, em retratos suspensos, habitava em cada esquina.

O teu carinho cobria as passarelas que vão da dor ao amor.

E as ruas transbordavam nas aquarelas mais delicadas do prazer.

 

Abri a janela e vi um mundo renascido e mais sereno,

e tudo floresceu dentro do meu coração.

Abri o meu peito e vi que estavas lá,

e tudo se iluminou como aurora à minha volta.

Abri as minhas narinas e senti que não havia outro cheiro,

porque o teu ser tomou por inteiro o meu bem-querer.

   

 

Nilson Freire, Natal, 20 de outubro de 2012

@poesiasdobeijaflor