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segunda-feira, 18 de maio de 2026

PEDRO VELHO EM POESIA

 

PEDRO VELHO EM POESIA

 


Uma cidade que renasceu das águas para brilhar ao Sol

 

 Ah! Pedro Velho, relicário de eternas lembranças,

Terra de gente altiva e de inquebrantáveis esperanças.

Nasceste nas entranhas da grande nação Tupi como Cuitezeiras,

Pois eras coroada por cuité – altivas cabaceiras.

De raízes Potiguares, os Paiaguás — ou mesmo Tapuias — tanto faz.

Teus filhos dançavam nas matas sob o céu sereno em tempo de paz.

Tinham olhos amendoados, de brilho sem rival,

Cabelos lisos ao vento, pele morena, porte magistral.

Na arena ancestral, jamais houve temor ou esconderijo;

De dentes cerrados e coragem a pulsar no peito rijo,

Eras guerreiro indômito, valente, ágil na arte da abordagem,

Invisível ao inimigo ao vestir a sutileza da paisagem.

 

Já pertenceste à Canguaretama.

Jamais te esquece quem em tuas areias fez cama.

É divinal…

O amarelo, o azul e o verde da tua bandeira,

Com uma estrela que alumia o algodão e a cana altaneira.

Estendo uma rede na varanda e contemplo quem passa.

Apaixono-me pela mais formosa nativa que faz graça na praça.

Embriago-me com um vento litorâneo, leve e brejeiro,

Que dedilha, como harpa verde, as folhas do meu coqueiro

Plantado no quintal.

 

Estás à margem esquerda do rio Curimataú,

Na beira da estrada que leva para o Sul.

Eras pouso certo no caminho para Nova Cruz,

Quando despertavas ao bramido do trem.

Foi no mercado que encontrei o meu bem

E troquei o coração por uma porção de amor.

Bordava o horizonte de nuvens de algodão em flor,

Quando na Igreja de Santa Rita ergueu-se sentida oração.

Numa noite de 13 de maio de 1901 o Curimataú fez arrastão:

Levou gado, casa, plantio e construção.

A chuva que dá vida desfez o mais belo cenário,

Mas teu povo destemido não se rende ao calvário.

Não se dobra jamais, não.

 

A população perplexa, desesperada,

Sonhava acordada com nova morada.

Eram muitas as feridas abertas na população,

Mas não houve perda de vida — apenas desolação.

Só um silêncio vasto a ecoar no coração.

Fabrício Gomes de Albuquerque Maranhão

Fez, no ano seguinte, um setembro de primavera.

Fez realidade o que parecia ser quimera:

Doou um platô no alto da terra mais bela.

Que Cuitezeiras renasça, altiva e nova,

Que seja chamada de Vila Nova.

 

 Ah! Montanhas…

Fizeste parte de mim.

Mas já não és a flor do meu jardim.

Tenho Alecrim, Cuité, Corte

Mucuri, Bocas, Nova Descoberta -

Meu peito é sempre porta aberta.

Tenho Porteiras, Moreira, Casaca, Mapirunga, Reta;

Tenho Recreio e Boa Vista,

Fascina-me o Pau D’óleo, Carnaúba dos Lima,

Tamatanduba, Rua do Toco, Três Aroeiras,

Meu querido Timbó e a faceira Canaúba do Padre

Ah! Meu Olho D’agua…

E meus olhos se enchem d’água.

 

À sombra da Sumaúma — que chamam Pau Grande -

Contemplo o que restou da luta contra a força torrencial:

Ruínas da igreja, antigo cemitério, o velho Cruzeiro…

E reconheço teu povo guerreiro em toda sua realeza.

És a beleza viva do Leste Potiguar.

No balneário do rio Piquiri, o calor aprende a cessar.

Peço a São Francisco de Assis que venha me amparar.

Do alto de Carnaúba, o Cristo vigia imponente.

Uma embolada de coco ressoa alegremente.

Ao pulsar de cada acorde musical,

Nasce o artesanato de fibra de carnaúba e sisal.

Danço pastoril e me encanto com o Boi Calembra de Cuité.

Maravilha da cultura de um povo que nunca perdeu a fé.

É preciso trazer o nome do primeiro Governador do Estado:

Pedro Velho de Albuquerque Maranhão.

Pedro Velho onde nasci.

Pedrovelhense é o meu forte coração.

 

  

Nilson Freire, Pedro Velho 16 de setembro de 2011

@poesiasdobeijaflor

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