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quarta-feira, 10 de junho de 2026

AMOR EM PRETO E BRANCO

                                             AMOR EM PRETO E BRANCO


                                                           
“Amor de verdade não tem limites”

 

 

Não quero um amor em preto e branco,

feito chuva em dia de inverno;

feito feijão depois do arroz.

Não quero viver num mundo paralelo,

nem quero uma paixão de uma única cor.

 

Quero o prazer profundo e sem sentido;

Quero o infinito condensado em instante supremo;

Quero ser teu, mesmo por um único lampejo de sentir;

Possuir-te em cada esquina, em cada canto escuro.

Desatar-te os laços do pudor e sorver-te no avesso com ardor.

 

Não quero uma paixão limitada por receios,

nem correr sempre no mesmo páreo num cavalo azarão.

Quero a tempestade mais violenta;

Quero acreditar na mentira mais sincera;

Quero pintar uma aquarela incendiada de cores fortes.

Desejar-te até o meu corpo explodir, prenunciando a morte,

e reviver — se sobreviver — ao ver a tua boca me engolir.

 

Não quero um amor de todo sincero.

Quero muito além de um demais querer.

Feito leão no cio em gozos ilimitados;

Feito beija-flor em beijos inconsequentes;

Feito colisão de estrelas em órbitas convergentes.

Que seja tudo tão verdadeiro,

enquanto verdadeiro for este mentir.

 

Quero o teu não a implorar o meu insistir;

Quero mais do que vivenciar o teu amanhecer

ao acordar, após ter adormecido dentro do teu ser.

Não quero um amor com a sutileza de um ficar.

Mas, se ficar contigo, quero primeiro acreditar

e acreditando, inevitavelmente, duvidar -

Só para tentar, de novo, te conquistar

ou, quem sabe, te iludir.

 

Não quero ser de todo transparente,

valendo o que estiver escrito.

Nem quero ser tão louco que me faça inconsequente.

Não quero te perder por um detalhe a mais,

mas quero ser totalmente demais.

Quero te provocar, instigando o limite do teu tesão,

ao amanhecer, ao entardecer, ao anoitecer.

E, se for preciso suplicar por um amor,

não vou ter medo de gritar por teu ser.

 

                                                                                    

                                                                                                                    Nilson Freire, Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1997

@poesiasdobeijaflor


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