AMOR EM PRETO E BRANCO
“Amor de verdade não tem limites”
Não quero um amor em
preto e branco,
feito
chuva em dia de inverno;
feito
feijão depois do arroz.
Não quero viver num
mundo paralelo,
nem
quero uma paixão de uma única cor.
Quero o prazer
profundo e sem sentido;
Quero o infinito condensado
em instante supremo;
Quero ser teu, mesmo
por um único lampejo de sentir;
Possuir-te em cada
esquina, em cada canto escuro.
Desatar-te os laços do
pudor e sorver-te no avesso com ardor.
Não quero uma paixão
limitada por receios,
nem
correr sempre no mesmo páreo num cavalo azarão.
Quero a tempestade
mais violenta;
Quero acreditar na
mentira mais sincera;
Quero pintar uma
aquarela incendiada de cores fortes.
Desejar-te até o meu
corpo explodir, prenunciando a morte,
e
reviver — se sobreviver — ao ver a tua boca me engolir.
Não quero um amor de
todo sincero.
Quero muito além de um
demais querer.
Feito leão no cio em
gozos ilimitados;
Feito beija-flor em
beijos inconsequentes;
Feito colisão de
estrelas em órbitas convergentes.
Que seja tudo tão
verdadeiro,
enquanto verdadeiro for este mentir.
Quero o teu não a
implorar o meu insistir;
Quero mais do que
vivenciar o teu amanhecer
ao
acordar, após ter adormecido dentro do teu ser.
Não quero um amor com
a sutileza de um ficar.
Mas, se ficar contigo,
quero primeiro acreditar
e
acreditando, inevitavelmente, duvidar -
Só
para tentar, de novo, te conquistar
ou, quem sabe, te iludir.
Não quero ser de todo
transparente,
valendo
o que estiver escrito.
Nem quero ser tão
louco que me faça inconsequente.
Não quero te perder
por um detalhe a mais,
mas
quero ser totalmente demais.
Quero te provocar,
instigando o limite do teu tesão,
ao
amanhecer, ao entardecer, ao anoitecer.
E, se for preciso
suplicar por um amor,
não
vou ter medo de gritar por teu ser.
@poesiasdobeijaflor

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