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quarta-feira, 10 de junho de 2026

JANELA PARA O AMOR

 

JANELA PARA O AMOR

 


“É necessário abrir a janela da vida para encontrar a luz do amor”


Abri a janela e vi o céu azul

e tudo azulou em meu coração.

Abri o meu peito e vi o teu olhar

e tudo se iluminou como aurora em minha vida.

Abri as minhas narinas e senti o teu aroma

e tudo em mim se cobriu do teu perfume.

 

Ah, meus dias de poeta,

minhas horas de vigília apaixonada ao teu lado se eternizam.

O relógio da minha alegria

começou a bater quando te encontrei.

 

Ah, meus instantes de sanidade,

Quase engolidos pela loucura de te conquistar.

A cada dia, um novo abismo atravessado

por quem, por amor, aprendeu a acreditar.

 

Abri a janela para o sol da minha vida, e a noite se desfez.

O passado de dor transfigurou-se em jardim florido,

e o teu nome foi gravado em cada parede.

O teu sorriso, em retratos suspensos, habitava em cada esquina.

O teu carinho cobria as passarelas que vão da dor ao amor.

E as ruas transbordavam nas aquarelas mais delicadas do prazer.

 

Abri a janela e vi um mundo renascido e mais sereno,

e tudo floresceu dentro do meu coração.

Abri o meu peito e vi que estavas lá,

e tudo se iluminou como aurora à minha volta.

Abri as minhas narinas e senti que não havia outro cheiro,

porque o teu ser tomou por inteiro o meu bem-querer.

   

 

Nilson Freire, Natal, 20 de outubro de 2012

@poesiasdobeijaflor

 

DIA DOS NAMORADOS

 

DIA DOS NAMORADOS


                                                                 “Celebrar o amor deveria ser algo diário”

  

É Dia dos Namorados,

É um dia de imenso valor,

Um dia eternamente celebrado.

Entoado em sublimes versos de amor.

  

É dia de ofertar ternos presentes.

É dia de afagar com carinho,

Dar um beijo singelo, enfeitar nosso ninho,

Sussurrar: “amo-te “ , eternamente.

  

É para os casados um instante sagrado,

É para os enamorados a própria eternidade.

Vamos abandonar todo pesar guardado,

E viver este dia em plena felicidade.

  

É dia de andar de mãos dadas.

É dia de permanecer enlaçado,

Porque este dia, minha amada,

É Dia dos Namorados.

 

                                                                                                                      

Nilson Freire, Rio de Janeiro, 02 de junho de 1977.

@poesiasdobeijaflor

 

AMOR EM PRETO E BRANCO

                                             AMOR EM PRETO E BRANCO


                                                           
“Amor de verdade não tem limites”

 

 

Não quero um amor em preto e branco,

feito chuva em dia de inverno;

feito feijão depois do arroz.

Não quero viver num mundo paralelo,

nem quero uma paixão de uma única cor.

 

Quero o prazer profundo e sem sentido;

Quero o infinito condensado em instante supremo;

Quero ser teu, mesmo por um único lampejo de sentir;

Possuir-te em cada esquina, em cada canto escuro.

Desatar-te os laços do pudor e sorver-te no avesso com ardor.

 

Não quero uma paixão limitada por receios,

nem correr sempre no mesmo páreo num cavalo azarão.

Quero a tempestade mais violenta;

Quero acreditar na mentira mais sincera;

Quero pintar uma aquarela incendiada de cores fortes.

Desejar-te até o meu corpo explodir, prenunciando a morte,

e reviver — se sobreviver — ao ver a tua boca me engolir.

 

Não quero um amor de todo sincero.

Quero muito além de um demais querer.

Feito leão no cio em gozos ilimitados;

Feito beija-flor em beijos inconsequentes;

Feito colisão de estrelas em órbitas convergentes.

Que seja tudo tão verdadeiro,

enquanto verdadeiro for este mentir.

 

Quero o teu não a implorar o meu insistir;

Quero mais do que vivenciar o teu amanhecer

ao acordar, após ter adormecido dentro do teu ser.

Não quero um amor com a sutileza de um ficar.

Mas, se ficar contigo, quero primeiro acreditar

e acreditando, inevitavelmente, duvidar -

Só para tentar, de novo, te conquistar

ou, quem sabe, te iludir.

 

Não quero ser de todo transparente,

valendo o que estiver escrito.

Nem quero ser tão louco que me faça inconsequente.

Não quero te perder por um detalhe a mais,

mas quero ser totalmente demais.

Quero te provocar, instigando o limite do teu tesão,

ao amanhecer, ao entardecer, ao anoitecer.

E, se for preciso suplicar por um amor,

não vou ter medo de gritar por teu ser.

 

                                                                                    

                                                                                                                    Nilson Freire, Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1997

@poesiasdobeijaflor


segunda-feira, 18 de maio de 2026

PEDRO VELHO EM POESIA

 

PEDRO VELHO EM POESIA

 


Uma cidade que renasceu das águas para brilhar ao Sol

 

 Ah! Pedro Velho, relicário de eternas lembranças,

Terra de gente altiva e de inquebrantáveis esperanças.

Nasceste nas entranhas da grande nação Tupi como Cuitezeiras,

Pois eras coroada por cuité – altivas cabaceiras.

De raízes Potiguares, os Paiaguás — ou mesmo Tapuias — tanto faz.

Teus filhos dançavam nas matas sob o céu sereno em tempo de paz.

Tinham olhos amendoados, de brilho sem rival,

Cabelos lisos ao vento, pele morena, porte magistral.

Na arena ancestral, jamais houve temor ou esconderijo;

De dentes cerrados e coragem a pulsar no peito rijo,

Eras guerreiro indômito, valente, ágil na arte da abordagem,

Invisível ao inimigo ao vestir a sutileza da paisagem.

 

Já pertenceste à Canguaretama.

Jamais te esquece quem em tuas areias fez cama.

É divinal…

O amarelo, o azul e o verde da tua bandeira,

Com uma estrela que alumia o algodão e a cana altaneira.

Estendo uma rede na varanda e contemplo quem passa.

Apaixono-me pela mais formosa nativa que faz graça na praça.

Embriago-me com um vento litorâneo, leve e brejeiro,

Que dedilha, como harpa verde, as folhas do meu coqueiro

Plantado no quintal.

 

Estás à margem esquerda do rio Curimataú,

Na beira da estrada que leva para o Sul.

Eras pouso certo no caminho para Nova Cruz,

Quando despertavas ao bramido do trem.

Foi no mercado que encontrei o meu bem

E troquei o coração por uma porção de amor.

Bordava o horizonte de nuvens de algodão em flor,

Quando na Igreja de Santa Rita ergueu-se sentida oração.

Numa noite de 13 de maio de 1901 o Curimataú fez arrastão:

Levou gado, casa, plantio e construção.

A chuva que dá vida desfez o mais belo cenário,

Mas teu povo destemido não se rende ao calvário.

Não se dobra jamais, não.

 

A população perplexa, desesperada,

Sonhava acordada com nova morada.

Eram muitas as feridas abertas na população,

Mas não houve perda de vida — apenas desolação.

Só um silêncio vasto a ecoar no coração.

Fabrício Gomes de Albuquerque Maranhão

Fez, no ano seguinte, um setembro de primavera.

Fez realidade o que parecia ser quimera:

Doou um platô no alto da terra mais bela.

Que Cuitezeiras renasça, altiva e nova,

Que seja chamada de Vila Nova.

 

 Ah! Montanhas…

Fizeste parte de mim.

Mas já não és a flor do meu jardim.

Tenho Alecrim, Cuité, Corte

Mucuri, Bocas, Nova Descoberta -

Meu peito é sempre porta aberta.

Tenho Porteiras, Moreira, Casaca, Mapirunga, Reta;

Tenho Recreio e Boa Vista,

Fascina-me o Pau D’óleo, Carnaúba dos Lima,

Tamatanduba, Rua do Toco, Três Aroeiras,

Meu querido Timbó e a faceira Canaúba do Padre

Ah! Meu Olho D’agua…

E meus olhos se enchem d’água.

 

À sombra da Sumaúma — que chamam Pau Grande -

Contemplo o que restou da luta contra a força torrencial:

Ruínas da igreja, antigo cemitério, o velho Cruzeiro…

E reconheço teu povo guerreiro em toda sua realeza.

És a beleza viva do Leste Potiguar.

No balneário do rio Piquiri, o calor aprende a cessar.

Peço a São Francisco de Assis que venha me amparar.

Do alto de Carnaúba, o Cristo vigia imponente.

Uma embolada de coco ressoa alegremente.

Ao pulsar de cada acorde musical,

Nasce o artesanato de fibra de carnaúba e sisal.

Danço pastoril e me encanto com o Boi Calembra de Cuité.

Maravilha da cultura de um povo que nunca perdeu a fé.

É preciso trazer o nome do primeiro Governador do Estado:

Pedro Velho de Albuquerque Maranhão.

Pedro Velho onde nasci.

Pedrovelhense é o meu forte coração.

 

  

Nilson Freire, Pedro Velho 16 de setembro de 2011

@poesiasdobeijaflor

sexta-feira, 1 de maio de 2026

NOME DE MÃE

 

NOME DE MÃE

                                         “São três letras que moldas nossas vidas”

 


 Não digo o teu nome — nem é preciso,

basta um “mãe” sonoro e aflito

e tu já reconheces que este grito

vem de mim — e de mais ninguém.

 

Vejo-te assim: já coroada de cabelos brancos,

com um batom singelo,

de vestido amarelo, como o mais belo

e cálido raio de sol rompendo o inverno.

 

Tuas rugas traçam estradas em teu rosto,

sulcos lavrados de preocupação e desgosto.

Nasceram da dor silenciosa de quem sofre

por amar além da medida — e sempre mais.

 

Meus erros são falhas pequenas, quase banais.

O meu prato predileto ninguém mais sabe fazer.

O tempo paralisa quando me atraso além da conta

e o teu sono se esvai e não vem.

Sou ainda criança, apesar da minha idade.

Em tua infinita bondade, sou eternamente teu neném.

 

Teu colo é vida e bálsamo que sara minhas feridas.

Tuas palavras bordaram a trama da minha história.

A minha vida tu me deste.

A minha personalidade, tu a talhaste.

Minhas lágrimas, tu as enxugaste.

E farias tudo isso quantas vezes mais?

 

Não digo o teu nome – nem é preciso,

basta um “mãe” pleno e sorridente.

Eu já sei que a minha alegria

             é tua alegria, igualmente.


                                                                      Nilson Freire, Natal, 17de abril de 2009 

                                                                                  @poesiasdobeijaflor