PEDRO
VELHO EM POESIA
Uma
cidade que renasceu das águas para brilhar ao Sol
Ah! Pedro Velho,
relicário de eternas lembranças,
Terra de gente
altiva e de inquebrantáveis esperanças.
Nasceste nas entranhas
da grande nação Tupi como Cuitezeiras,
Pois eras
coroada por cuité – altivas cabaceiras.
De raízes
Potiguares, os Paiaguás — ou mesmo Tapuias — tanto faz.
Teus filhos dançavam
nas matas sob o céu sereno em tempo de paz.
Tinham olhos
amendoados, de brilho sem rival,
Cabelos lisos
ao vento, pele morena, porte magistral.
Na arena
ancestral, jamais houve temor ou esconderijo;
De dentes
cerrados e coragem a pulsar no peito rijo,
Eras guerreiro indômito,
valente, ágil na arte da abordagem,
Invisível ao
inimigo ao vestir a sutileza da paisagem.
Já pertenceste
à Canguaretama.
Jamais te
esquece quem em tuas areias fez cama.
É divinal…
O amarelo, o azul
e o verde da tua bandeira,
Com uma estrela
que alumia o algodão e a cana altaneira.
Estendo uma
rede na varanda e contemplo quem passa.
Apaixono-me
pela mais formosa nativa que faz graça na praça.
Embriago-me com
um vento litorâneo, leve e brejeiro,
Que dedilha,
como harpa verde, as folhas do meu coqueiro
Plantado no
quintal.
Estás à margem
esquerda do rio Curimataú,
Na beira da
estrada que leva para o Sul.
Eras pouso
certo no caminho para Nova Cruz,
Quando despertavas
ao bramido do trem.
Foi no mercado
que encontrei o meu bem
E troquei o coração
por uma porção de amor.
Bordava o
horizonte de nuvens de algodão em flor,
Quando na Igreja
de Santa Rita ergueu-se sentida oração.
Numa noite de 13
de maio de 1901 o Curimataú fez arrastão:
Levou gado,
casa, plantio e construção.
A chuva que dá
vida desfez o mais belo cenário,
Mas teu povo destemido
não se rende ao calvário.
Não se dobra jamais,
não.
A população perplexa,
desesperada,
Sonhava
acordada com nova morada.
Eram muitas as
feridas abertas na população,
Mas não houve
perda de vida — apenas desolação.
Só um silêncio
vasto a ecoar no coração.
Fabrício Gomes de Albuquerque Maranhão
Fez, no ano seguinte, um setembro de primavera.
Fez realidade o que parecia ser quimera:
Doou um platô no alto da terra mais bela.
Que Cuitezeiras
renasça, altiva e nova,
Que seja chamada
de Vila Nova.
Ah! Montanhas…
Fizeste parte
de mim.
Mas já não és a
flor do meu jardim.
Tenho Alecrim,
Cuité, Corte
Mucuri, Bocas,
Nova Descoberta -
Meu peito é
sempre porta aberta.
Tenho Porteiras,
Moreira, Casaca, Mapirunga, Reta;
Tenho Recreio e
Boa Vista,
Fascina-me o Pau
D’óleo, Carnaúba dos Lima,
Tamatanduba, Rua do Toco, Três Aroeiras,
Meu querido Timbó e a faceira Canaúba do Padre
Ah! Meu Olho D’agua…
E meus olhos se enchem d’água.
À
sombra da Sumaúma — que chamam Pau Grande -
Contemplo
o que restou da luta contra a força torrencial:
Ruínas
da igreja, antigo cemitério, o velho Cruzeiro…
E
reconheço teu povo guerreiro em toda sua realeza.
És
a beleza viva do Leste Potiguar.
No
balneário do rio Piquiri, o calor aprende a cessar.
Peço
a São Francisco de Assis que venha me amparar.
Do
alto de Carnaúba, o Cristo vigia imponente.
Uma
embolada de coco ressoa alegremente.
Ao
pulsar de cada acorde musical,
Nasce
o artesanato de fibra de carnaúba e sisal.
Danço
pastoril e me encanto com o Boi Calembra de Cuité.
Maravilha
da cultura de um povo que nunca perdeu a fé.
É
preciso trazer o nome do primeiro Governador do Estado:
Pedro
Velho de Albuquerque Maranhão.
Pedro
Velho onde nasci.
Pedrovelhense
é o meu forte coração.
Nilson
Freire, Pedro Velho 16 de setembro de 2011
@poesiasdobeijaflor