ALMAS PASSEANDO NO JARDIM
"Ao encontrar a alma gêmea, tudo se torna ilimitado"
Não falarei de
flores jogadas ao chão,
nem das feridas do
meu lacerado coração.
Ofertar-te-ei um
lírio perfeito,
uma rosa de pétalas delicadas,
tingidas de azul -
e um laço cingirei sobre
o meu peito,
fazendo do meu corpo
nu o teu leito.
Beberei o néctar do
teu prazer
no cálice profundo e
sagrado da nossa intimidade.
Cultivarei a
sensualidade do teu andar cadenciado,
como quem rega, ao
entardecer, um jardim secreto,
com mãos trêmulas de
desejo e de eternidade.
Far-te-ei sorrir
mesmo sem querer,
e, quando enfim quiseres
chorar,
há de ser de tanto arder
e amar,
ou por não mais conseguires
me esquecer.
Escreverei poemas em
pétalas lançadas ao vento,
sem comparar o que
fomos ao que somos no presente,
mas confessando as
fantasias mais insensatas,
só para acender em
ti uma chama voraz,
ardente, inédita — nascida
só de mim.
Dedilharei um piano
imaginário sobre o teu umbigo,
como quem tece
segredos no centro do infinito.
Sussurrarei ao teu
ouvido promessas de amor sem fim.
Hei de ver-te em
vestidos soltos, que o vento afaga e embala,
ou colados ao corpo,
desenhando as tuas curvas -
onde deslizo, à
noite, em puro delírio.
Dançarei contigo em
noites de estrelas e lua cheia,
ou entregue por inteiro
à chuva inesperada de verão,
despidos de tudo, sem
véu algum sobre a pele,
somente o meu nome
tatuado em tua alma.
e o teu nome gravado
a ferro e fogo no meu coração.
Almas gêmeas
entrelaçadas,
que não se curvam às
regras que tentam nos conter.
Nesse jogo de amar, de
querer, de sentir e de prazer,
seremos eternos a
cada instante vivido -
pois o mundo se fez
jardim só para nós.
Por fim, deixarei
flores a cobrir as manchas no algodão
branco dos lençóis.
Nilson Freire, 2 de dezembro de 2009
@poesiasdobeijaflor

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