AFOGAMENTO
“Os caminhos que levam ao amor não devem
ser temidos"
São
tantos os caminhos.
Tantos
passos à espera
que,
de repente, nos vemos pisando o mesmo chão,
reféns
dos mesmos medos e desejos,
brincando
ainda de ser criança,
nessa
infância eterna que habita cada um de nós.
É
um olhar quase sem promessa
fazendo
intriga dentro do peito;
é
um se tocar, fingindo nada querer,
mesmo
sentindo o sangue todo borbulhar.
É
fantasiar o impossível
e
dissimular aquilo que não se pode negar.
Tão
imprevisível é a vida
que
não convém nos podar-se demais.
Sentir
tudo que a mente consente,
trazer
o futuro para o presente;
não
empurrar o desejo para depois.
São
tantos os caminhos…
E
tantos desembocam em você.
Perco-me
no afago dos seus seios,
tonto,
desarmo as defesas uma a uma.
Resisto,
mas termino submerso
no
complexo que é a sua pele nua.
Nilson Freire, Rio de Janeiro, 24 de junho de 1986
@poesiasdobeijaflor

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